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Promessa cripto de Javier Milei esfria após 10 meses no poder

Por Petrônio Oliveira | 15 de outubro de 2025
Promessa cripto de Javier Milei esfria após 10 meses no poder

Milei e o Bitcoin: A Decepção da Comunidade Cripto na Argentina 🇦🇷

A chegada de Javier Milei à presidência da Argentina gerou uma onda de otimismo na comunidade de criptomoedas. Suas ideias libertárias e a defesa da Escola Austríaca de Economia pareciam o cenário perfeito para o florescimento de ativos descentralizados como o Bitcoin. No entanto, a realidade tem sido bem diferente, e a sensação de frustração cresce entre os entusiastas. Especialistas do setor apontam para um motivo principal: a falta de conhecimento do presidente sobre a tecnologia.

Expectativas Frustradas 😞

Quando Milei assumiu o poder em 2023, a expectativa era alta. A comunidade cripto argentina, que já representa quase 20% da população e utiliza moedas digitais como uma ferramenta crucial contra a inflação galopante e os controles do governo, esperava que o novo presidente abraçasse o Bitcoin. Acreditava-se que ele promoveria a inovação em blockchain e facilitaria o uso de criptoativos no dia a dia.

Contudo, desde sua posse, Milei não tomou nenhuma iniciativa significativa para colocar a pauta cripto em sua agenda política, deixando um vácuo onde muitos esperavam ver progresso.

A Raiz do Problema: Falta de Conhecimento? 🤔

Durante um evento da Latin American Bitcoin & Blockchain Conference (LABITCONF), figuras proeminentes do cenário cripto argentino, como Carlos Maslatón e Ramiro Marra, deram um banho de água fria em qualquer esperança de uma revolução cripto liderada pelo governo.

Carlos Maslatón, um conhecido maximalista de Bitcoin que já foi próximo de Milei, revelou que a inação do presidente pode ser simplesmente por desconhecimento.

“Conversei extensivamente com Milei sobre Bitcoin em 2013 ou 2014, e ele ouviu atentamente […] Mas a verdade é que não acho que ele conseguiu captar totalmente sua essência. Acredito que ele seja um economista muito conhecedor em relação à moeda fiduciária”, disse Maslatón.
A falta de especialistas em ativos digitais na equipe de Milei agrava o problema. A única figura no gabinete com alguma familiaridade com cripto era a Ministra das Relações Exteriores, Diana Mondino. Logo após a posse de Milei, ela chegou a confirmar no Twitter que um novo decreto de desregulamentação permitiria a celebração de contratos em Bitcoin ou qualquer outra criptomoeda.
Y también cualquier otra cripto y/o especie como kilos de novillo o litros de leche.

Art 766. – Obligación del deudor. El deudor debe entregar la cantidad correspondiente de la moneda designada, tanto si la moneda tiene curso legal en la República como si no lo tiene.

— Diana Mondino (@DianaMondino) December 21, 2023

Apesar desse vislumbre de esperança, a falta de conhecimento técnico parece ser generalizada. Ramiro Marra, legislador de Buenos Aires, pintou um quadro preocupante sobre o Congresso:
“Ao falar com políticos no poder legislativo, não consigo encontrar ninguém que saiba algo sobre [cripto]. […] Espero que não discutam qualquer tipo de lei sobre esse assunto porque não têm ideia. Falar sobre regulamentações é um risco muito sério”, alertou Marra.

O Grande Obstáculo: Controles de Capital ⛓️

Mesmo que o setor privado tente avançar, um grande entrave permanece: os rigorosos controles de capital da Argentina. Embora o governo Milei tenha aliviado algumas restrições, as barreiras ao comércio internacional e ao movimento de capital de investimento continuam a sufocar o crescimento da indústria cripto.

Maslatón foi enfático ao criticar essa política, afirmando que ela impede a livre movimentação de moedas e representa uma oportunidade perdida. Ele sugeriu uma solução ousada:

"Se eu fosse presidente, teria emitido um decreto declarando a Argentina como o ‘país mais amigável ao Bitcoin no mundo’", explicou.
Essa medida, segundo ele, ordenaria que os bancos facilitassem as transações entre cripto e fiduciário, permitindo que pessoas e empresas convertessem livremente seus ativos. Para isso, seria essencial garantir a liberdade de entrada e saída de capitais.
“Não sei por que [Milei] não quer fazer isso ou por que tem tanto medo disso”, lamentou Maslatón. “Só com isso, [o mercado cripto] teria explodido; teria sido um estouro.”
O futuro da agenda cripto na Argentina sob o governo Milei permanece uma incógnita. A comunidade, que um dia viu no presidente um aliado natural, agora aguarda, com ceticismo, por qualquer sinal de que a revolução libertária incluirá também a liberdade monetária proporcionada pelo Bitcoin. ⏳

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Equipe Satoshi Libre

Analistas e Pesquisadores On-Chain

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