Bitcoin em alta histórica, mas sem base sólida: será o fim do rali?

A recente disparada do Bitcoin para novos recordes pode ser menos sólida do que aparenta. Um relatório indica que, enquanto o preço avança, o número de endereços ativos na rede diminui, configurando uma divergência negativa entre a cotação e a atividade on-chain.
Com a participação enfraquecida, cresce o risco de uma devolução para a região dos US$ 120 mil.
No estudo da CryptoQuant, o analista pseudônimo CryptoOnchain aponta que a máxima de US$ 125.708 parece estar sendo impulsionada menos por um entusiasmo generalizado e mais por negociações especulativas. Ao analisar o comportamento dos usuários, ele identificou uma “divergência negativa” entre preço e endereços ativos: a média móvel de 14 dias dessa métrica se aproxima do menor nível desde abril de 2020.
Em ciclos saudáveis, altas persistentes costumam vir acompanhadas de aumento na atividade da rede, sinalizando entrada de novos participantes e demanda orgânica. Quando o preço sobe enquanto a rede esfria, isso sugere que derivativos, alavancagem e a atuação de poucos grandes players estão desempenhando um papel maior do que a adesão do público em geral. Na prática, mesmo com o BTC cravando novos topos, há menos usuários únicos transacionando on-chain, o que torna o rali mais frágil e sujeito a correções caso o sentimento mude.
A escalada da alavancagem em futuros reforça essa leitura. Dados da Coinglass mostram que o interesse aberto em contratos de BTC atingiu um recorde anual de US$ 92,14 bilhões, avanço de 10% desde 1º de outubro. Interesse aberto é o total de contratos futuros ou de opções que permanecem ativos, sem liquidação ou fechamento. Historicamente, um salto rápido dessa métrica durante ralis de preço costuma sinalizar superaquecimento: com muitos traders alavancados, liquidações relativamente pequenas podem desencadear quedas intensas.
O rali foi forte, mas a faixa de US$ 120 mil vai segurar? Para CryptoOnchain, o quadro é um alerta: se a atividade da rede não crescer junto com a cotação, faltará suporte fundamental para manter os níveis atuais e aumenta a probabilidade de uma correção local. Nesse cenário, o BTC poderia revisitar US$ 120.090 caso a demanda subjacente continue arrefecendo.
Por outro lado, uma retomada da participação on-chain pode invalidar a projeção pessimista. A entrada de novos compradores teria potencial para levar o preço a testar novamente sua máxima histórica — e até tentar superá-la.
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